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| Hoje o dia está mais feliz. Estamos como quem sonha e a nossa boca se encheu de riso. |
Chegamos hoje em Recife e finalmente, depois de 17 meses de envio do nosso dossiê, estamos com o nosso CSQ em mãos!!!!!!!!!!
Obs: Já aviso que o post será longo. Contaremos sobre a nossa entrevista e algumas dicas.
Chegamos na quinta-feira (29/11/12), um dia antes da entrevista e ficamos hospedados no Hotel Othon mesmo.
Ao chegarmos, dei de cara com o Monsier Le Blanc, que parecia esperar alguém que estava atrasado para entrevista. Ele aparentava ansiedade e andava pra lá e pra cá, saindo da sala de entrevista pro saguão durante muito tempo.
O que me fez saber na hora que seria o famoso Le blanc, foi um jeito canadense de ser, o fato de tê-lo ouvido falar em francês com um rapaz e principalmente, porque estava dentro da sala onde era anunciada como sendo a sala de "ENTREVISTA DO QUÉBEC", portanto, já conhecíamos a face do nosso entrevistador, o que amenizou a nossa aflição, pois como todos dizem, ele realmente é muito simpático e tranquilo.
Neste dia não saimos do hotel, estávamos muito apreensivos e ansiosos, daí estudamos um pouco mais e revisamos o dossiê.
No dia seguinte, acordamos cedo, tomamos o café da manhã, nos arrumamos, oramos antes de sairmos do quarto e fomos direto a sala de entrevista. Gente, o que é toda aquela sensação de nervoso???? Eu não sabia se corria pro banheiro ou corria pra Recife de vez, o fato é que não há mais nada a se fazer a não ser esperar chegar a sua hora.
Esperamos quinze minutos além do nosso horário marcado e finalmente sai o Monsier Le Blanc se despedindo de um rapaz que, apesar de bastante suado e vermelho, parecia feliz.
Logo Le Blanc se dirigiu a nós com um sonoro "Bonjour" e entramos na sala. Nos indicou os nossos assentos e rapidamente posicionou-se em seu computador. Leu nossos nomes e perguntou a data de nosso nascimento.Logo depois pediu nossos documentos de identificação, incluindo as nossas certidões de nascimento, perguntou sobre nosso estado civil e solicitou a certidão de casamento. Enquanto pedia traaanquilamente os documentos, ele conferia as informações no computador, nos papeis que enviamos no dossiê e nos originais que apresentávamos.
E daí decorreu assim, ele pedia os documentos e nós os fornecíamos: Diplomas, certificados, históricos, declaração de trabalho, currículos, holerites e aí uma surpresa, ele pediu o imposto de renda do meu marido, e ok, nós tínhamos, ele conferiu página por página e tudo certo. O meu marido é autônomo, da área de T.I. e presta serviço a uma empresa a muitos anos, achamos que haveria mesmo a possibilidade dele nos pedir o imposto de renda, por isso nos tínhamos preparamos.
Enquanto Le Blanc olhava os documentos meticulosamente, ele também carimbava as fotocópias que ficavam com ele. Mas o que matava era o silêncio que pairava na sala enquanto ele lia e digitava em seu computador, silêncio inquietante, isso porque ficávamos imaginando: "Não pode ser tão fácil assim, onde estão todas aquelas perguntas?".
Foi quando repentinamente ele se voltou para o meu marido e perguntou em inglês, quais as razões que o motivaram ir para o Canadá? Olhei pro lado e vi que o maridinho respirou fundo e como quem diz "Essa eu sei!" botou pra falar, falou tanto que o Monsieur Le Blanc precisou emitir alguns OKs pra que ele parasse, então aproveitei e complementei em francês que a arquitetura de Québec também me encantava, ele arregalou os seus olhos azuis e focou as perguntas em mim. "E a senhora, o que a motivou escolher Québec?" Pronto, era tudo o que eu queria, falei pelos cotovelos, enquanto ele digitava e concordava com a cabeça, ainda fico a pensar de onde saiu tanta coragem.
Depois disso me perguntou se eu sabia como validar o meu diploma, e prontamente puxei um manual de instruções oficial do Ministério da Educação de Québec e expliquei com detalhes o que eu deveria fazer para trabalhar como professora. Ele gostou de saber que pesquisei e ainda deu uma dica pra minha área.
Depois disso o meu marido o perguntou sobre a relevância de outro manual que falava sobre trabalho, ele respondeu e retornou com outras perguntas: "Quantos habitantes existem em Québec?", "Qual o primeiro ministro do Québec?", "Quais as principais atividades economicas de Québec?" e "Quantos habitantes existem em Montreal?", a última pergunta ele respondeu que não sabia sobre Montreal, pois pesquisamos sobre Sainte-foy, o lugar onde pretendemos morar e daí ele aproveitou e perguntou por que escolhemos Sainte-foy, ele respondeu rapidamente e logo depois Le Blanc olhou pra mim e pediu pra que eu pegasse uma brochura que estava sobre a mesa e que falava um pouco da cultura do Québec. Eu sorri e disse que já tinha, inclusive estava na nossa pasta e mostrei, ele sorriu e apertou o botãozinho da impressora, eu pensei: "Já?! Eu tinha tanta coisa pra falar ainda".
Após o sorriso nos perguntou se tínhamos alguma dúvida, e eu, claro, o perguntei sobre os rumores de uma possível separação do Québec e Canadá depois que a Madame Pauline Marois assumiu o poder, ele gargalhou e disse que não, era algo quase impossível de acontecer e que não se preocupasse com isso.
Quarenta e cinco minutos foi o tempo de nossa entrevista. Achei super tranquila e proveitosa. Mostramos que sabíamos o que queríamos, que pesquisamos e levamos todos os documentos necessários.
Nos levou até a porta, nos cumprimentou e se despediu.
Nós ficamos no mesmo hotel até o domingo e, volta e meia, cruzávamos com o Daniel Le Blanc no hotel quando íamos ou voltávamso de algum passeio. Ele sempre abria um sorriso com um bonjour ou bonsoir.
Como todos dizem, ele é uma pessoa serena e tranquila, mas vale salientar que isto não significa que você não precisa estudar ou pesquisar, pensando que será moleza, vou logo dizendo que o francês dele é carregado de sotaque e se você não estiver com seus ouvidos adaptados poderá se enrolar durante as perguntas, portanto aí vão algumas dicas:
1. Confira e leve toda a documentação necessária, organize-a em uma pasta de modo fácil de localizar e retirar;
2. Faça uma refeição leve no dia da entrevista;
3. Seja pontual;
4. Tente não decorar respostas mas traçar idéias, para não passar a impressão de artificialidade;
5. Se possível chegue um dia antes da entrevista para evitar surpresas com vôos e transito;
6. Dê preferência a hoteis próximos. Quanto mais próximo, melhor.
Para quem for se hospedar no Hotel Othon de Salvador:
1. As refeições dentro do hotel são muito caras. Vá a uma galeria que fica embaixo de um apart hotel, bem ao lado do othon, lá tem uma cafeteria, um self-service e uma pizzaria. Os preços são bons e o local tbm. Se você gosta da subway e água de côco, vá mais pra frente, depois do apart hotel e encontrará;
2. O ônibus que sai do aeroporto demora de 40 a 50 minutos pra passar, não tem ar-condicionado e custa 2 reais e 80 centavos.
3. Taxi é caro e no mês dezembro a qualquer hora é cobrado na bandeira 2, portanto de olho nos preços e passeios;
4. Por falar em passeio, se você estiver disposto, com tempo e dinheiro vale a pena fechar passeios com uma agência que fica dentro do hotel chamado prive tur, nós gostamos bastante;
5. Sugerimos o restaurante 'barra vento' que fica no farol da barra. O preço é razoável, o atendimento excelente e a comida formidável.
6. Vá ao shopping salvador e assista um filme legal, as salas de cinema são novas e muito boas (a pipoca é ótima).
Ah, eu gostaria de mandar um abraço para um casal que conhecemos lá no Hotel e que também ganharam o CSQ. Eles também são de Recife e espero que fiquemos mais próximos agora.
Espero ter ajudado e até o Processo Federal! Já estamos preparando a papelada, mas isso fica para um próximo post.