Estamos em Montreal há pouco mais de um mês e acho que chegamos numa fase turbulenta por aqui.
Acredite, já vimos um pouquinho de muita coisa e algumas me lembram bem o Brasil.
Já há alguns dias os alunos tem protestado contra o governo do Québec e rolou várias manifestações, passeatas, com estudantes e polícia nas ruas. Até aí tudo bem, vivemos numa democracia, mas parece que por aqui as coisas são um pouquinho diferentes.
Aqui se você deseja protestar com passeatas, envolvendo uma certa quantidade de pessoas, se locomovendo pelas ruas, certamente você deverá informar a polícia local a data, o motivo e o roteiro do seu trajeto, senão estará cometendo uma infração e isso eu achei beeem diferente do Brasil.
Ainda não tenho uma opinião formada no que diz respeito à violação da democracia e ao direito de ir e vir, até porque me basearia nos preceitos das leis brasileiras, mas se isso deu o que falar por aqui? Aaaaah se deu.
Em uma destas manifestações, o trajeto não foi informado à polícia local, o que provocou uma reação em cadeia. Vários policiais foram às ruas e num momento bem tenso da manifestação o policial que estava com um lançador de gás lacrimogênio, simplesmente mirou na cara de uma menina e atirou, isso mesmo, lançou uma bomba à queima roupa.
Por pura sorte ela sofreu apenas ferimentos leves no rosto, mas o assunto rendeu até entrevista com a menina e sua mãe na tv, lembrando o jornal sensacionalista do Brasil. O fato já tem mais de uma semana e ainda discutem e repetem as imagens e vídeos do momento da ação policial.
Esta semana os policiais invadiram a UQAM, com direito a quebradeira, para expulsar os estudantes que já ocupavam o espaço há pelo menos dez dias e, mais uma vez, o pau comeu lá dentro, meu querido!
O debate ainda está rolando quente por aqui e os professores também entraram na linha de frente.
O assunto permanece em alta na pauta de todos os telejornais e jornais da região e sem data para acabar.
O assunto permanece em alta na pauta de todos os telejornais e jornais da região e sem data para acabar.
Neste mesmo dia, estávamos nós na estação do metrô, mais precisamente na linha verde, quando ouvimos um aviso no sistema de som da estação, sobre uma parada na linha laranja. Como não nos impossibilitaria de nos locomovermos até nosso destino, seguimos pela linha verde mesmo.
Ao chegarmos em casa descobrimos o que acontecera. Uma briga feia dentro do vagão entre dois homens que acabou com um ferido por um objeto cortante.
Meu amigo! Parou tudo por lá e foi muito sangue no chão do vagão. Até onde eu sei, o cara que sofreu o golpe estava hospitalizado e não sei mais nada sobre o assunto. Fato esquecido pelos noticiários.
Uma vez voltávamos pra casa na estação Angrignon, quando vi um cara sentado no banco bastante machucado no rosto, com a cabeça sangrando e arrodeado por quatro policiais. Não tenho idéia do que pode ter acontecido com aquele homem.
Já vimos o carro que retira a neve, propositalmente dar ré e em alta velocidade lançar a pá do caminhão num carro que estava mal estacionado em via pública, e que o impedia de fazer o seu trabalho de retirada da neve bem feito.
E isso pode, Galvão?!
Depois de quebrar o farol e machucar legal a parte lateral do carro, ele seguiu em frente, parou na esquina, fez uma ligação e foi embora, enquanto várias pessoas testemunharam o fato, incluindo eu e meu marido. Podia ter tirado uma foto, né? Fica pra próxima...
Moramos bem no centro de Montreal, próximo a Estação Guy Concordia, e todos os dias vemos muitos pedintes e moradores de rua, aqui são chamados de itinerantes, que enchem as estações de metrô e ruas próximas ao centro, muitos deles são drogados e alcoólatras, outros desempregados e "alternativos". Alguns te abordam dentro das estações, nas ruas e até mesmo nos restaurantes, aconteceu conosco dentro de uma Tim Hortons.
Lixo no chão e pichação também é algo comum de achar próximo as estações de metrô, ruas do centro, dentro dos vagões e paradas de ônibus. Já vimos engarrafamento e gente mal educada de toda espécie.
Você pode estar pensando: "Está reclamando de barriga cheia", ou "No Brasil é bem pior" ou mesmo "Então volta pro Brasil" ou algo desse tipo.
Quero dizer que não tenho o menor problema em ler este tipo de mensagem e não serão estas coisas que me farão voltar, porque não foram estes os motivos que me fizeram imigrar, e quem acompanha o meu Diário sabe bem, além disso, também sei dar as devidas proporções aos fatos, mas este blog é como um diário, um lugar que relata a nossa experiência e o nosso ponto de vista com relação ao Processo de imigração e a vida no Canadá já como imigrante.
Sinto muito se pareceu arrogância, uma visão pessimista ou mesmo uma "infração" relatar o lado B desta cidade, mas talvez ajude aqueles que estão iludidos achando que aqui não encontrarão nenhuma mácula, ou achando que encontrarão o paraíso na Terra, para estes saibam que Montreal é uma grande metrópole, e assim como toda grande cidade também tem seus problemas e suas particularidades e é bom sempre ter um olhar crítico e sincero sobre a cidade que desejam morar.
Bem, até a próxima e espero que com um tema mais motivador, mas não menos realista.
Se você se interessou em saber mais sobre os acontecimentos leia aqui:







