Vista panorâmica da cidade de Québec
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domingo, 12 de abril de 2015

Montreal não é o paraíso!

Estamos em Montreal há pouco mais de um mês e acho que chegamos numa fase turbulenta por aqui.

Acredite, já vimos um pouquinho de muita coisa e algumas me lembram bem o Brasil.

Já há alguns dias os alunos tem protestado contra o governo do Québec e rolou várias manifestações, passeatas, com estudantes e polícia nas ruas. Até aí tudo bem, vivemos numa democracia, mas parece que por aqui as coisas são um pouquinho diferentes.

Aqui se você deseja protestar com passeatas, envolvendo uma certa quantidade de pessoas, se locomovendo pelas ruas, certamente você deverá informar a polícia local a data, o motivo e o roteiro do seu trajeto, senão estará cometendo uma infração e isso eu achei beeem diferente do Brasil.

Ainda não tenho uma opinião formada no que diz respeito à violação da democracia e ao direito de ir e vir, até porque me basearia nos preceitos das leis brasileiras, mas se isso deu o que falar por aqui? Aaaaah se deu.

Em uma destas manifestações, o trajeto não foi informado à polícia local, o que provocou uma reação em cadeia. Vários policiais foram às ruas e num momento bem tenso da manifestação o policial que estava com um lançador de gás lacrimogênio, simplesmente mirou na cara de uma menina e atirou, isso mesmo, lançou  uma bomba à queima roupa.



Por pura sorte ela sofreu apenas ferimentos leves no rosto, mas o assunto rendeu até entrevista com a menina e sua mãe na tv, lembrando o jornal sensacionalista do Brasil. O fato já tem mais de uma semana e ainda discutem e repetem as imagens e vídeos do momento da ação policial.

Esta semana os policiais invadiram a UQAM, com direito a quebradeira, para expulsar os estudantes que já ocupavam o espaço há pelo menos dez dias e, mais uma vez, o pau comeu lá dentro, meu querido!




O debate ainda está rolando quente por aqui e os professores também entraram na linha de frente.
O assunto permanece em alta na pauta de todos os telejornais e jornais da região e sem data para acabar.


Neste mesmo dia, estávamos nós na estação do metrô, mais precisamente na linha verde, quando ouvimos um aviso no sistema de som da estação, sobre uma parada na linha laranja. Como não nos impossibilitaria de nos locomovermos até nosso destino, seguimos pela linha verde mesmo. 

Ao chegarmos em casa descobrimos o que acontecera. Uma briga feia dentro do vagão entre dois homens que acabou com um ferido por um objeto cortante. 
Meu amigo! Parou tudo por lá e foi muito sangue no chão do vagão. Até onde eu sei, o cara que sofreu o golpe estava hospitalizado e não sei mais nada sobre o assunto. Fato esquecido pelos noticiários.



Além destes acontecimentos que são noticiados, somos testemunhas oculares de algumas mazelas. 
Uma vez voltávamos pra casa na estação Angrignon, quando vi um cara sentado no banco bastante machucado no rosto, com a cabeça sangrando e arrodeado por quatro policiais. Não tenho idéia do que pode ter acontecido com aquele homem. 

Já vimos o carro que retira a neve, propositalmente dar ré e em alta velocidade lançar a pá do caminhão num carro que estava mal estacionado em via pública, e que o impedia de fazer o seu trabalho de retirada da neve bem feito. 
E isso pode, Galvão?! 
Depois de quebrar o farol e machucar legal a parte lateral do carro, ele seguiu em frente, parou na esquina, fez uma ligação e foi embora, enquanto várias pessoas testemunharam o fato, incluindo eu e meu marido. Podia ter tirado uma foto, né? Fica pra próxima...

Moramos bem no centro de Montreal, próximo a Estação Guy Concordia, e todos os dias vemos muitos pedintes e moradores de rua, aqui são chamados de itinerantes, que enchem as estações de metrô e ruas próximas ao centro, muitos deles são drogados e alcoólatras, outros desempregados e "alternativos". Alguns te abordam dentro das estações, nas ruas e até mesmo nos restaurantes, aconteceu conosco dentro de uma Tim Hortons. 

Lixo no chão e pichação também é algo comum de achar próximo as estações de metrô, ruas do centro, dentro dos vagões e paradas de ônibus. Já vimos engarrafamento e gente mal educada de toda espécie. 

Você pode estar pensando: "Está reclamando de barriga cheia", ou "No Brasil é bem pior" ou mesmo "Então volta pro Brasil" ou algo desse tipo. 

Quero dizer que não tenho o menor problema em ler este tipo de mensagem e não serão estas coisas que me farão voltar, porque não foram estes os motivos que me fizeram imigrar, e quem acompanha o meu Diário sabe bem, além disso, também sei dar as devidas proporções aos fatos, mas este blog é como um diário, um lugar que relata a nossa experiência e o nosso ponto de vista com relação ao Processo de imigração e a vida no Canadá já como imigrante.

Sinto muito se pareceu arrogância, uma visão pessimista ou mesmo uma "infração" relatar o lado  B desta cidade, mas talvez ajude aqueles que estão iludidos achando que aqui não encontrarão nenhuma mácula, ou achando que encontrarão o paraíso na Terra, para estes saibam que Montreal é uma grande metrópole, e assim como toda grande cidade também tem seus problemas e suas particularidades e é bom sempre ter um olhar crítico e sincero sobre a cidade que desejam morar.

Bem, até a próxima e espero que com um tema mais motivador, mas não menos realista.

Se você se interessou em saber mais sobre os acontecimentos leia aqui:










sexta-feira, 20 de março de 2015

Primeira semana - Francisação, cidade e frio

Boa noite Diário,

Ainda falando sobre a nossa primeira semana, posso dizer que foi intensa e produtiva.

Contei no post passado que já fomos ao Assurance Maladie, já estamos com o nosso número do NAS e já nos inscrevemos na biblioteca e na Francisação.

Local onde nos inscrevemos para Francisação
Sobre a Francisação tivemos uma grata surpresa.
Em menos de quatro dias, uma senhora nos ligou para agendar nossas avaliações, então deveríamos comparecer no horário marcado com antecedência. Esperávamos uma carta mas como deixamos também o nosso número de telefone, o contato foi mais eficiente e rápido.

Fomos até o local da Francisação com meia hora de antecedência e logo fomos chamados, primeiro o meu marido e, dez minutos depois, eu.

Entramos numa sala onde haviam vários guichês com entrevistadores. Fomos chamados e cada um foi direcionado para um entrevistador. No meu caso foi uma moça muito simpática, ela começou a conversar comigo em francês fazendo primeiro perguntas básicas como; o meu nome, nacionalidade, idade e depois me perguntou sobre o que eu fazia no Brasil, por que escolhi Montreal e o bairro que eu morava atualmente. Perguntou o que fizemos durante a semana e o que estamos achando da cidade, enfim, foi um bate-papo descontraído. Algumas vezes não entendia o que ela dizia, mas logo repetia e com isso me deixou muito tranquila. A entrevista durou uns dez minutinhos e depois ela me encaminhou para uma outra sala na qual eu faria uma redação.

A redação é feita em uma folha simples com quartorze linhas e com um tema. O meu tema era simples, eu precisava relatar uma situação em meu trabalho. O do meu marido também foi um tema na sua área, mas ele contou pelo menos umas vinte e cinco linhas. A redação deveria ser feita em dez minutos e foi o bastante.

Depois que terminamos voltamos para o guichê inicial com os nossos entrevistadores. Eles corrigiram o texto na nossa frente e nos explicaram em que nível ficaríamos e um provável lugar onde estudaremos, baseado na localização que moramos.

Meu marido ficou na turma avançada e eu intermediária, mas uma grande surpresa ainda estava para acontecer. Nós pedimos o curso de tempo integral, ou seja, seis horas por dia, de segunda a sexta. Para este grupo a data prevista para começar é dia 28 de abril, e por isso ficaríamos sem estudar até lá, maaaaas, fomos surpreendidos pelo entrevistador do meu marido que nos perguntou se desejávamos entrar provisoriamente na turma parcial, cujas aulas começarão dia 7 de abril, e claro, logo aceitamos.

No entanto, nós não receberemos nenhuma ajuda financeira por estarmos nesta turma, seria apenas para não ficarmos sem fazer nada até o dia 28 de abril e desenferrujar o nosso francês. Deste modo, começaremos numa turma de horário parcial e depois passaremos para a nossa turma de horário pleno e ai sim, receberemos ajuda financeira do governo. 

Aaaaaaah, mas a grande surpresa foi o entrevistador nos surpreender falando perfeitamente português, isso mesmo! Ele é um canadense que estuda português e viajou ao Brasil, e adivinhem o lugar que ele visitou? ...Recife! A minha cidade natal! Perfeito! 

Ainda sobre a Francisação de tempo pleno, receberemos uma carta que nos informará a escola e o local onde estudaremos e outros detalhes sobre o curso. Não sabemos de quanto será a ajuda do governo e nem lembrei de perguntar, mas assim que soubermos informaremos para vocês.

Com relação a cidade, o que posso dizer a princípio é que estamos bem no coração de Montreal, uma região universitária e bem movimentada. Ainda tem neve pelas ruas apesar de alguns dias com temperaturas positivas.

Antes da tempestade de neve
Depois da tempestade de neve

A minha impressão inicial talvez decepcione alguns, mas não achei a cidade tão bonita, talvez seja por morarmos bem no centro, ou porque a neve e a lama ainda cobrem a cidade, ou até mesmo por não estarmos "turistando", então andamos pelos mesmo lugares.

No entanto, vejo muito lixo pelas ruas, especialmente bituca de cigarro e copos de café, pichação em alguns prédios e metrô, além de muitos  moradores de rua.

Gente, na boa, nunca vi tantos pedintes de rua, inclusive fomos abordados por pelo menos uns quatro, e eles estão por toda parte, nas avenidas, nos metrôs e nos parques, mas a parte que mais detestei da cidade, sem dúvida, foi a quantidade de gente que fuma. Justamente por não poderem fumar dentro dos estabelecimentos eles ficam na rua fumando enquanto você passa e leva aquela baforada de cigarro na sua cara. Acho que temos sofrido mais com o cigarro do que com o frio em si, especialmente meu marido que é asmático. Cigarro foi a única coisa que detestei quando viajamos à Paris, será que é coisa de francófono?!

Estamos adorando o transporte público e super funciona, este merecerá um post à parte.

Com relação ao frio, estamos nos adaptando. A variação de temperatura é muito grande, de -14º até 8º, foi o que já pegamos por aqui e sabemos que isso não é nada comparado as baixas temperaturas no inverno. A neve derrete e deixa muita lama pelas ruas, bem chato de andar as vezes.

O frio em si não é tão difícil, até vir aquele vento da moléstia na sua cara. Temos sentido muito a baixa umidade do ar, hoje estava em 25% e meu nariz não aguenta. Meu nariz tem sangrado diariamente e dizem que é normal e que logo me acostumarei. Estou usando um gel hidratante e vamos comprar um umidificador, mas isso também é superável, eu espero.

Esta semana descobrimos que não vendem nebulizadores por aqui, então se você utiliza um no Brasil traga o seu na mala. Pediremos para uma amiga trazer para nós.

Já pegamos a nossa primeira tempestade de neve e só sofremos um pouco com o vento e a neve que caia direto no olho, mas já resolvemos o problema, comprando um casaco próprio para neve, com uma "frescurinha" no capuz que impede a ação do vento e da neve.

Exatamente os casacos que compramos

















Ah, vale lembrar que estamos na época das promoções de inverno, então nossos casacos custaram cinquenta e setenta dólares e servirão para temperaturas de até -20°, para nós o bastante por enquanto.

No próximo post prometo falar de supermercados, o preço da comida e dos sabores diversos por aqui.

Até mais Diário!


Linda Québec! E o Hotel Château Frontenac