Vista panorâmica da cidade de Québec
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terça-feira, 21 de julho de 2015

Um pequeno resumo de quatro meses no Canadá

Boa noooooooite querido Diário,

São muitas informações desde a última postagem, portanto vou tentar dar uma resumida aqui e depois tentar detalhar alguns temas que acho pertinentes em outras postagens.

Bem, finalmente entramos de férias da francisação (motivo pelo qual só consegui escrever agora)! Ufa! A mente e o corpo já estavam no limite do cansaço. Para quem irá fazer francisação em tempo pleno já aviso, é muito desgastante, especialmente se você é um recém chegado, que terá que resolver documentação, aluguel, comprar coisas para sua casa, comprar telefone, internet...tudo isso em meio ao curso, portanto prepare-se psicologicamente e fisicamente para isso, cada passo e degrau de uma vez ou você surtará.


Ainda falando sobre a francisação, eu posso dizer que vale muito a pena. Eu sei que tem vários brasileiros que pensam não ser necessário e que o importante mesmo é encontrar logo emprego, mesmo que o seu francês seja mediano e/ou se já domine o inglês, eu digo que, se você pensa assim depende muito de sua área profissional, pois dependendo do trabalho que você procura, o idioma será fundamental na busca do primeiro emprego. Um outro aspecto que acho importante, é a construção do seu networking.
Lá conheci algumas pessoas que me deram dicas preciosas (nenhum deles brasileiros), além de conselhos dos professores e dicas sobre trabalho, passeios, aspectos do idioma quebecoise e o cotidiano montrealaise, tudo isso dado durante as aulas. Pra mim, de vital importância na minha integração com a língua e idioma, além é claro, de construir amizades e formar um novo círculo de amizade.

Um outro detalhe sobre a francisação, é que ouvi algumas pessoas falarem mal do curso na UQAM, o que me surpreendeu bastante, por ter renome e ser bem conhecida. Nós fizemos o nosso curso na Cégep de Vieux Montréal, e afirmo a vocês, é uma escola excelente. Tem uma ótima estrutura, professores e suportes pedagógicos, mas acho que cada experiência é particular e tudo pode variar dependendo do professor que você pegar.

Eu continuarei o terceiro nível da francisação tempo pleno em agosto e semana que vem começarei um trabalho voluntário numa escola, depois contarei pra vocês em detalhe e o marido irá em busca de seu primeiro emprego, inclusive essa fase tem sido sólida e gradativa, fazendo cursos de integração ministradas por agencias e pelo próprio governo do Québec (assunto para um próximo post).

Alugamos o nosso primeiro apartamento em Montreal, com duração de um ano, já que ficamos em um estúdio quando chegamos por três meses.
Estamos morando em Ile des Soeurs e o que posso dizer daqui é que tudo é simplesmente lindo. 

Ile des Soeurs

Um bairro que sempre sonhei em morar. Todo final de semana meu marido e eu caminhamos pelas trilhas em meio a muito verde, parques e lagos. Amo muito viver aqui. Nós ainda não temos carro e na Ile des Soeurs não entra o metrô, portanto pegamos ônibus até a estação mais próxima e tá tudo certo. Isso realmente não me incomoda. Como já disse antes o transporte público funciona muito bem, obrigada. Contudo para os que não gostam de utilizar ônibus e/ou metro recomendo um carro ou bicicleta se você deseja morar em Ile des Soeurs. Se algumas pessoas desejarem posso falar em um outro post somente sobre o nosso bairro e contar mais detalhes de como se deu o processo de aluguel.
Ile des Soeurs

Eu gostaria de compartilhar com vocês algo que tenho percebido entre muitos brasileiros, salvo algumas exceções, e que tem entristecido o meu coração.
Sabe aquele lance de esconder do colega alguma informação valiosa? Do tipo esconde dicas que fazem diferença na busca pelo emprego ou não compartilhar um curso oferecido pelo governo....enfim, quando chegamos aqui, toda e qualquer informação é muito importante. As vezes penso que as pessoas fazem tal coisa porque devem pensar; "Ah se eu me lasquei pra conseguir esta informação e quebrei minha cara fazendo errado, eles também precisam se lascar e quebrar a cara também."

Rapaz, eu tenho pena de pessoas que pensam e agem assim. 
Infelizmente ou felizmente muitas informações que recebemos foram dos amigos não brasileiros.
Eu não quero e nem gosto da idéia que você deve abrir a sua vida e compartilhar tudo com todo mundo, eu não estou falando disso, eu estou falando de ajudar alguém que acabou de chegar e ainda não está por dentro de tudo. Ah, não estar por dentro de tudo não significa dizer que esta pessoa não pesquisou ou é desinteressada, simplesmente ela desconhece algumas informações que aqueles que já estão há algum tempo conhece, óbvio.

Durante meu curso de integração conheci uma menina brasileira, fato raro por aqui, visto que são poucos brasileiros dentro de um mesmo curso seja de francisação ou curso de integração, o legal é que durante a conversa, descobri que ela também era recifense e para minha surpresa ela conhecia meu blog. Ao constatar que eu era a autora do blog Diário Canadá Brasil, que ela tanto acompanhara no Brasil seus olhos encheram d'água e eu como sempre não contive as lágrimas. Ela me agradeceu por compartilhar no Diário e ficamos muito emocionadas. Nasceu uma nova amizade.

Eu acho que é esse o papel deste blog sabe, momentos de desabafos, um lugar para buscar informações e de compartilha-las também. Fico triste ao ver tanta gente egoísta por aí, não sou a melhor das pessoas, mas garanto que se eu puder ajudar, meu Diário estará aberto.

Já faz um tempo que não escrevo e nem sei se ainda tenho seguidores que estão interessados na nossa nova fase por aqui, mas se você é um leitor e gostaria de ajuda ou de alguma dica, pode contar conosco, na medida do possível ficaremos  felizes em sermos úteis.

Até o próximo post e espero que desta vez mais rapidamente.

sábado, 9 de maio de 2015

Francisação em tempo pleno

Começamos o nosso curso de francisação em tempo pleno no dia 29 de Abril.

Como eu já havia dito pra vocês, fizemos também a francisação em tempo parcial, que começou no dia 7 de Abril, mas que foi interrompida ao iniciarmos com o tempo pleno, isto porquê, para quem não sabe, o horário do curso em tempo parcial pode variar entre 3 e 4 horas, já o curso de tempo pleno, dura 6 horas. Nosso curso começa as 8h30 e vai até às 12h30 da manhã, depois voltamos às 13h e largamos as 15h30 da tarde, detonados de dor de cabeça.

Todo curso será de três meses com alguns dias de feriados e último dia de aula em 8 de julho.

Sala Francisação pela manhã

Quem faz o curso em tempo pleno recebe uma ajuda do governo para estudar, o equivalente a 430$ por pessoa, caso esta não tenha filhos e não esteja trabalhando. 

Este dinheiro chegará em forma de cheque e pelos correios, isso mesmo, pelos correios, "Ai, Jesus que medo!". Ainda não recebemos o nosso, por isso tanta estranheza. 

Eu fui classificada na turma de francês intermediário e meu marido no avançado.
Nossas turmas tem 20 pessoas e das mais variadas partes do mundo.

Na minha sala, por exemplo, não tem nenhum brasileiro, mas tem pelo menos 7 iranianos. Tem gente da Colômbia, Polônia, China, Jordânia, Itália, Venezuela, Bélgica ....O mesmo acontece na sala do meu marido, a maioria pertence ao Irã e os demais de toda parte do mundo.

Estudamos na mesma escola, Cégep Vieux Montréal, que possui uma excelente infraestrutura. 
As salas de aula são confortáveis, equipadas e apropriadas ao frio  e ao calor.
Possui uma biblioteca, laboratório de informática, piscina, sala de ginástica e esportes e um refeitório massa, com vários microondas e balcão com torneira, muitas mesinhas disponíveis e internet gratuita, além disso, uma parte do refeitório possui um delicioso self-service bem variado e preço legal. 

Sempre almoçamos juntos, e para economizar estamos levando a nossa "marmitinha" básica de todos os dias e tem sido uma ótima opção. Só possuímos meia hora para o almoço, e quinze minutos de pausa para um lanche durante o dia, portanto nosso dia tem sido bem corrido.

A francisação é dividida em dois expedientes, manhã e tarde. 
Pela manhã estudamos mais a parte teórica, como gramática, verbos, textos, parte escrita...

Minha professora da manhã é quebecoise e fala claramente o francês. Sua formação é Relações públicas com especialização em linguística. 

Ela é bem preparada e experiente, uma excelente professora, fala diversos idiomas e possui uma didática e plano de aula bastante coerente, organizado e com nível bem elevado.

Apesar de sua simpatia, ela é muito exigente e impõe respeito e disciplina, e por sua vez os alunos a respeitam e admiram, coisas que adoraria ver nas salas de aula do Brasil.

A minha professora da tarde é imigrante africana, mas passou toda a sua adolescência e juventude no Canadá. Ela é a nossa animatrice, uma professora responsável pela integração oral, social e cultural da turma. O diálogo é constante e os trabalhos em equipe começam a surgir, e por consequência,  as amizades.

As aulas são muito interessantes e variadas, numa tarde vistamos um canal de Tv, e adivinhem só? Lá estava eu num programa ao vivo, fazendo caras e bocas do tipo: "cara de bonzinho rapazes, apenas acenem e sorriam..." Foi uma experiência única e valeu muito a pena. 

Programa Laboratoire MATV

A turma do meu marido também foi para o Mont-Royal, e cá pra nós, impossível se concentrar na aula diante de uma vista tão linda como aquela.


Mont-Royal








Mont-Royal
Gente, vivemos dias corridos e com muitas tarefas, está ficando difícil escrever com mais frequência, mas prometo não demorar tanto para voltar a postar. Esta semana começarão os testes no curso e precisarei dedicar meu tempo aos estudos.

No próximo post quero contar pra vocês a nossa "epopéia" em busca do novo apartamento.

Até lá!

sexta-feira, 20 de março de 2015

Primeira semana - Francisação, cidade e frio

Boa noite Diário,

Ainda falando sobre a nossa primeira semana, posso dizer que foi intensa e produtiva.

Contei no post passado que já fomos ao Assurance Maladie, já estamos com o nosso número do NAS e já nos inscrevemos na biblioteca e na Francisação.

Local onde nos inscrevemos para Francisação
Sobre a Francisação tivemos uma grata surpresa.
Em menos de quatro dias, uma senhora nos ligou para agendar nossas avaliações, então deveríamos comparecer no horário marcado com antecedência. Esperávamos uma carta mas como deixamos também o nosso número de telefone, o contato foi mais eficiente e rápido.

Fomos até o local da Francisação com meia hora de antecedência e logo fomos chamados, primeiro o meu marido e, dez minutos depois, eu.

Entramos numa sala onde haviam vários guichês com entrevistadores. Fomos chamados e cada um foi direcionado para um entrevistador. No meu caso foi uma moça muito simpática, ela começou a conversar comigo em francês fazendo primeiro perguntas básicas como; o meu nome, nacionalidade, idade e depois me perguntou sobre o que eu fazia no Brasil, por que escolhi Montreal e o bairro que eu morava atualmente. Perguntou o que fizemos durante a semana e o que estamos achando da cidade, enfim, foi um bate-papo descontraído. Algumas vezes não entendia o que ela dizia, mas logo repetia e com isso me deixou muito tranquila. A entrevista durou uns dez minutinhos e depois ela me encaminhou para uma outra sala na qual eu faria uma redação.

A redação é feita em uma folha simples com quartorze linhas e com um tema. O meu tema era simples, eu precisava relatar uma situação em meu trabalho. O do meu marido também foi um tema na sua área, mas ele contou pelo menos umas vinte e cinco linhas. A redação deveria ser feita em dez minutos e foi o bastante.

Depois que terminamos voltamos para o guichê inicial com os nossos entrevistadores. Eles corrigiram o texto na nossa frente e nos explicaram em que nível ficaríamos e um provável lugar onde estudaremos, baseado na localização que moramos.

Meu marido ficou na turma avançada e eu intermediária, mas uma grande surpresa ainda estava para acontecer. Nós pedimos o curso de tempo integral, ou seja, seis horas por dia, de segunda a sexta. Para este grupo a data prevista para começar é dia 28 de abril, e por isso ficaríamos sem estudar até lá, maaaaas, fomos surpreendidos pelo entrevistador do meu marido que nos perguntou se desejávamos entrar provisoriamente na turma parcial, cujas aulas começarão dia 7 de abril, e claro, logo aceitamos.

No entanto, nós não receberemos nenhuma ajuda financeira por estarmos nesta turma, seria apenas para não ficarmos sem fazer nada até o dia 28 de abril e desenferrujar o nosso francês. Deste modo, começaremos numa turma de horário parcial e depois passaremos para a nossa turma de horário pleno e ai sim, receberemos ajuda financeira do governo. 

Aaaaaaah, mas a grande surpresa foi o entrevistador nos surpreender falando perfeitamente português, isso mesmo! Ele é um canadense que estuda português e viajou ao Brasil, e adivinhem o lugar que ele visitou? ...Recife! A minha cidade natal! Perfeito! 

Ainda sobre a Francisação de tempo pleno, receberemos uma carta que nos informará a escola e o local onde estudaremos e outros detalhes sobre o curso. Não sabemos de quanto será a ajuda do governo e nem lembrei de perguntar, mas assim que soubermos informaremos para vocês.

Com relação a cidade, o que posso dizer a princípio é que estamos bem no coração de Montreal, uma região universitária e bem movimentada. Ainda tem neve pelas ruas apesar de alguns dias com temperaturas positivas.

Antes da tempestade de neve
Depois da tempestade de neve

A minha impressão inicial talvez decepcione alguns, mas não achei a cidade tão bonita, talvez seja por morarmos bem no centro, ou porque a neve e a lama ainda cobrem a cidade, ou até mesmo por não estarmos "turistando", então andamos pelos mesmo lugares.

No entanto, vejo muito lixo pelas ruas, especialmente bituca de cigarro e copos de café, pichação em alguns prédios e metrô, além de muitos  moradores de rua.

Gente, na boa, nunca vi tantos pedintes de rua, inclusive fomos abordados por pelo menos uns quatro, e eles estão por toda parte, nas avenidas, nos metrôs e nos parques, mas a parte que mais detestei da cidade, sem dúvida, foi a quantidade de gente que fuma. Justamente por não poderem fumar dentro dos estabelecimentos eles ficam na rua fumando enquanto você passa e leva aquela baforada de cigarro na sua cara. Acho que temos sofrido mais com o cigarro do que com o frio em si, especialmente meu marido que é asmático. Cigarro foi a única coisa que detestei quando viajamos à Paris, será que é coisa de francófono?!

Estamos adorando o transporte público e super funciona, este merecerá um post à parte.

Com relação ao frio, estamos nos adaptando. A variação de temperatura é muito grande, de -14º até 8º, foi o que já pegamos por aqui e sabemos que isso não é nada comparado as baixas temperaturas no inverno. A neve derrete e deixa muita lama pelas ruas, bem chato de andar as vezes.

O frio em si não é tão difícil, até vir aquele vento da moléstia na sua cara. Temos sentido muito a baixa umidade do ar, hoje estava em 25% e meu nariz não aguenta. Meu nariz tem sangrado diariamente e dizem que é normal e que logo me acostumarei. Estou usando um gel hidratante e vamos comprar um umidificador, mas isso também é superável, eu espero.

Esta semana descobrimos que não vendem nebulizadores por aqui, então se você utiliza um no Brasil traga o seu na mala. Pediremos para uma amiga trazer para nós.

Já pegamos a nossa primeira tempestade de neve e só sofremos um pouco com o vento e a neve que caia direto no olho, mas já resolvemos o problema, comprando um casaco próprio para neve, com uma "frescurinha" no capuz que impede a ação do vento e da neve.

Exatamente os casacos que compramos

















Ah, vale lembrar que estamos na época das promoções de inverno, então nossos casacos custaram cinquenta e setenta dólares e servirão para temperaturas de até -20°, para nós o bastante por enquanto.

No próximo post prometo falar de supermercados, o preço da comida e dos sabores diversos por aqui.

Até mais Diário!


Linda Québec! E o Hotel Château Frontenac